"Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa..."

Manuel Antonio Pina

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"Um Fruto"


Desconheço a autoria da imagem

A juventude
houve
como um fruto.

Hoje habito uma casa
polpa madura de mulher
meu corpo.

Amanhã haverá uma flor.
Não sei onde.

Renata Palottini

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"Poema Secreto I"


Desconheço a autoria da imagem


Que se distraiam teus pés
Em mil passeios.
E tuas mãos despenteiem águas
E tranças de heras.
Mas teus olhos,não.
Teus olhos estão
Sigilados em meus tesouros.

Flávia Savary

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"Hoje Não Tem Poesia"


Desconheço a autoria da imagem


Mas tem café, bolachas
Pão com manteiga,
Uma receita de bolo
Que era de minha avó-
Hoje não tem poesia,
Sobre a mesa, geléia, torradas macias
Toalha de antigo bordado encontra
O passado sobre a cadeira vazia.

Tonho França

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"Do Desencontro"


Fotografia de Laura Kok, in DeviantArt

Pela janela entreaberta
da infância
espio a vida
pelo lado de dentro
em busca dos sonhos
que não encontrei
nas noites que vivi
no lado de fora

Ademir Antonio Bacca

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fotografia de Fernando Campanella


Bananeira- do- brejo
capim-gordura
cipó-de-São João -
em transparências de tédio
a aquarela na tarde
é meu exílio de Minas.

Fernando Campanella




domingo, 18 de dezembro de 2011


Fotografia daqui

Trazemos no fundo do casaco
algumas canções usadas
— e achamos, por vezes, que
é para nós que as estrelas brilham,
entre prédios demolidos e amores também.

Acabamos, mais cedo ou mais tarde,
por acreditar no silêncio.
A felicidade, para outros, continua válida.
Mas disso, obviamente, nada podemos saber.

Manuel de Freitas


sábado, 17 de dezembro de 2011


Desconheço a autoria da imagem

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


Imagem daqui

Se alguém disser que morri, avança até à varanda do céu,
escuta a noite e recolhe o meu corpo da espuma dos planetas.
não deixes que o meu rosto se dissolva nas tuas mãos,
insiste no meu nome até que o mar ascenda à tua boca.
e de luar em luar celebra o coração que fiz teu, mudamente,
como se o amor fosse sobreviver às veias paradas de sangue.

Vasco Gato


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

"Eu Sou Aquilo Que Falta"


"Melancolia", de Edvard Munch

Eu sou aquilo que falta
ao mundo em que vivo,
aquele que entre todos
jamais encontrarei.
Rodando sobre mim mesmo agora coincido
com o que me foi tirado.
Eu sou o meu eclipse
a revelia, o desconsolo
o objeto geométrico
a que para sempre deverei renunciar.

Valério Magrelli
in A espinha do P


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

"Pedaços"


Imagem daqui

Estou estilhaçada
silêncios saem da boca
mansos
estava desenhando
palavras
perdi o jeito de amanhecer

tenho tantos pedaços
que sou quase infinita

Vera Lúcia Oliveira


Interlúdio com ...

Will You Still Love Me Tomorrow - Norah Jones

Will You Still Love Me Tomorrow

Norah Jones

Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you still love me tomorrow?

Is this a lasting treasure
or just a moment pleasure?
Can I believe the magic of your sight?
Will you still love me tomorrow?

Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?

I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?

Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...

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