"Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa..."

Manuel Antonio Pina

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"Breve"



Woman's nape, by Edvard March

Breve
o botão que foste
e o pudor de sê-lo.

Breve
o laço vermelho
dado no cabelo.

Breve
a flor que abriu
e o sol mudou.

Breve
tanto sonho findo
que a vida pisou.

João José Cochofel


quarta-feira, 11 de abril de 2012

"Florada"



Mastectomy, by Vicky Emptage

Tudo em meu corpo adoece.
Tudo em meu corpo adoece quando choro.
Tudo em meu corpo chora.
Choro em todos os meus cantos.
Choram cantos e todos
choram todos os cantos.
Meus cantos são todos os cantos que choram.
Tenho muitos cantos
e eles choram.
Me alargo em tudo
e tudo me alaga.
Me alaga o rio quando choro.
O rio me alaga e me alarga.
Chora um rio em mim.
Um rio é um canto meu que chora.
Meu avesso é um canto meu que floresce.
Meu avesso é um canto meu que chora e floresce.
Quero florescer como choro que brota
e como rio que alaga quando me deito.

Adriana Monteiro de Barros


terça-feira, 10 de abril de 2012



Imagem daqui

Hoje vou ficar quieta, encistada e vou vasculhar meus cantos escuros em busca de relíquias e rendas, umas porcelanas muito finas, papéis guardados, cristais díspares e o brilho dos teus olhos. 
Vou lembrar da tua cabeça descansando sobre meu ventre e do silêncio que pousava em teus cabelos úmidos.
E vou lembrar mais uma vez. 
E outra. 
E vou sentir o peso do teu desamparo e da tua entrega e a felicidade sem arabescos, a felicidade branca dos lençóis emaranhados e a mudez embargada da minha voz. 
E vou lembrar mais uma vez. 
E outra. 
E vou esquecer e depois vou relembrar como se há muito tivesse esquecido e vai parecer que encontrei uma jóia atrás da estante. 
E vou ter meus olhos estrelados como tive naquele dia e vou fechá-los para encerrar em mim teu segredo de fraqueza. 
Guardarei secretamente comigo o quanto ali me amaste.

Patricia Antoniete


segunda-feira, 9 de abril de 2012



Imagem daqui

Tu já me arrumaste no armário dos restos
eu já te guardei na gaveta dos corpos perdidos
e das nossas memórias começamos a varrer
as pequenas gotas de felicidade
que já fomos.

Mas no tempo subjetivo,
tu és ainda o meu relógio de vento,
a minha máquina aceleradora de sangue
e por quanto tempo ainda
as minhas mãos serão para ti
o noturno passeio do gato no telhado?

Isabel Meyrelles


domingo, 8 de abril de 2012

"Pior"



Imagem daqui

Não é apenas só
que estou me sentindo...

É muito pior:
- estou me sentindo sem voce.

J.G. de Araújo Jorge


sábado, 7 de abril de 2012

"Ausência"


Desconheço a autoria da imagem

Amanheço em tons e sons
soturnos
quase inaudíveis
O sol se faz presente
nas frestas da janela
entreaberta...
Vazio da angústia
da espera
Solidão
Não...
quero me bastar
Aprender a ser só
Mas meu corpo
clama
a sua presença
Minha alma
chama
pelo seu terno amor
Sou sua
e de mim
me perco
e me refaço
em sua presença
em luz
em sol
em cor.

Ianê Mello


quarta-feira, 4 de abril de 2012


Desconheço a autoria da imagem

Tua ausência cala o mundo, o mar, os ventos.
Tua ausência desaba silenciosamente sobre os
meus dias, soterrando meu outono...
Ela magoa demais o meu sossego.
Tua ausência é essa substância densa
Tua ausência é tão presente que é pessoa...
E me abraça.

Marla de Queiroz


segunda-feira, 2 de abril de 2012



Desconheço a autoria da imagem

Lê, estes são os nomes das coisas que deixaste 
– eu, livros, o teu perfume espalhado pelo quarto; 
sonhos pela metade e dor em dobro, 
beijos por todo o corpo como cortes profundos
que nunca vão sarar.

Maria do Rosário Pedreira


quinta-feira, 29 de março de 2012

"Soluços"



Desconheço a autoria da imagem

O meu céu não anda cor-de-rosa.
Nem estrelas existem nele mais.
Tem neblina encobrindo a madrugada
tem insônia me tirando a paz.
No meu relógio, as horas já não passam
e de cada minuto passado sou refém
o meu canto está vazio e apagado
no meu peito a saudade vaivém.
A tristeza e o tédio se misturam
as lembranças têm cheiro de menta e muita dor
os soluços da alma fazem de mim um fervedouro
o chão abriu-se e engoliu meus pés
as lágrimas ficaram mais salgadas
e, inesperadamente, surfam em meu convés.
Dentro dos nós presos na garganta,
o coração palpita com a força de um furacão
e a dor urra em decibéis de um trovão
é o preço a se pagar por um amor ido e não tem remédio.
É a vida acontecendo sem que entendamos a sua razão.



domingo, 25 de março de 2012

"Estou de árvore"


Fotografia de Maria Nina, no Flickr

não estou nada. nem cansada nem lúcida nem mátrea nem flor nem
ponte nem asa nem dia nem rasgo. nada. volume esquadro seta folha
lume esquadria em falso telhado de pétalas que o vento esmaga. nem
abraço nem água. estou. de árvore.

Isabel Mendes Ferreira
in "As Lágrimas Estão todas na Garganta do Mar"



Interlúdio com ...

Will You Still Love Me Tomorrow - Norah Jones

Will You Still Love Me Tomorrow

Norah Jones

Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you still love me tomorrow?

Is this a lasting treasure
or just a moment pleasure?
Can I believe the magic of your sight?
Will you still love me tomorrow?

Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?

I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?

Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...

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