"Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa..."

Manuel Antonio Pina

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Poema do fanático


Imagem via facepage Secret Place

Não bebo álcool, não tomo ópio nem éter,
Sou o embriagado de ti e por ti.
Mil dedos me apontam na rua:
Eis o homem que é fanático por uma mulher.

Tua ternura e tua crueldade são iguais diante de mim
Porque eu amo tudo o que vem de ti.
Amo-te na tua miséria e na tua glória
E te amaria mais ainda se sofresses muito mais.

Caíste em fogo na minha vida de rebelado.
Sou insensível ao tempo - porque tu existes.
Eu sou fanático da tua pessoa,
Da tua graça, do teu espírito, do aparelhamento da tua vida.
Eu quisera formar uma unidade contigo
E me extinguir violentamente contigo na febre da minha, da tua, da nossa poesia.

Murilo Mendes



sábado, 6 de julho de 2019


Arte: Kim Schuessler

A minha alegria é um aroma de tangerina nos dedos,
comer aos gomos a paisagem
e limpar depois
a boca
à manga do espanto.
Tu puxas-me
e somos duas crianças 
num trilho de mata,
num banco de pedra,
num portão verde dividindo

o aqui e o ali.
Porque nós estamos aqui.
Aqui onde te entrego os meus bolsos,
e - repara - as tuas mãos cabem.

Nós estamos aqui.

Vasco Gato 




Arte: Sergii Shaulis

Ouve, tu que não existes em nenhum céu:

Estou farto de escavar nos olhos
abismos de ternura
onde cabem todos menos eu.

Estou farto de palavras de perdão
que me ferem a boca
dum frio de lágrimas quentes de punhal.

Estou farto desta dor inútil
de chorar por mim nos outros.

- Eu que nem sequer tenho a coragem de escrever
os versos que me fazem doer.

José Gomes Ferreira



Arte: Dick Pieters

Espera-me e eu voltarei,
mas espera-me muito.
Espera-me quando cair a neve
e chegarem as chuvas tristes,
quando chegar o calor,
não deixes de esperar.
Espera-me, quando já
ninguém esperar e se tiver
esquecido já o ontem.
Espera-me mesmo que as cartas
não cheguem de longe.
Espera-me quando todos
estiverem já fartos de esperar.
Espera-me e eu voltarei,
não ames – peço-te –
quem repetir de memória
que é tempo já de olvidar;
mesmo que mãe e filho julguem
que eu não existo mais.
Deixa que os amigos, ao lume,
se cansem de esperar e bebam
vinho amargo em memória de mim.
Espera-me e não
te apresses a beber com eles.
Espera-me e eu voltarei,
para que a morte se encha de raiva.
O que nunca me esquecer
dirá talvez de mim: coitado, teve sorte.
Jamais compreenderão
aqueles que jamais esperaram.
Tu é que me salvaste do fogo.
De como sobrevivi
saberemos tu e eu,
porque simplesmente me esperaste,
como ninguém me esperou.

Konstantin Simonov



segunda-feira, 3 de junho de 2019


Fotografia de Rachel Prado

o gesto mais ousado 
o sangue mais fervido 
o amor mais vivido 
a dor mais derramada

porque o sexo mais bonito é o aflito 
e o amor mais bendito é o solícito 
acento surdo grafado 
neste leque de emoções 
descortinado

Luiz Sant'Anna


Noturno da Janela


Imagem da Web

1.

Alta vai a lua,
baixo corre o vento.

(Minhas longas olhadas
exploram o céu.)

Lua sobre a água.
Lua sob o vento.

(Minhas curtas olhadas
exploram o chão.)

As vozes de duas meninas 
Vinham. Sem esforço,
Da lua da água
fui à do céu.

Federico Garcia Lorca




Imagem Pinterest

Uma saudade verde
(Me sabe a verde
a saudade)
Verde como o oito da sua casa
Um oito deitado
(Infinito de saudade)

Nunca madura nem de vez
Perdura sempre verde
a saudade

Jorge Cooper



Macieira



Arte de VHarumi

Amanheci arbórea,
raízes longas,
um ninho
novo
em cada braço.

(Janela aberta.
Um farfalhar de ramos.)

Eu agito
meu cabelo:
o quarto se enche de maçãs.

Ana Santos
poeta de Porto Alegre



E o tempo deu-me razão


Antares & Love X, 2013, Joe Webb

venci entre nós todos os debates
e o tempo deu-me razão.
mas no amor (fria lâmpada tantas vezes
esquecida nos dedos), ganhar é perder,
matar é ser morto.
e eu entendo agora como
pode um abraço ser eterno, como
podem as saudades cingir, suster,
estrangular

João Ricardo Lopes



Arte de Jared Joslin

Quanto, quanto me queres? – perguntaste
Numa voz de lamento diluída;
E quando nos meus olhos demoraste
A luz dos teus senti a luz da vida.
Nas tuas mãos as minhas apertaste;
Lá fora da luz do Sol já combalida
Era um sorriso aberto num contraste
Com a sombra da posse proibida…
Beijamo
-nos então, a latejar
No infinito e pálido vaivém
Dos corpos que se entregam sem pensar…
Não perguntes, não sei – não sei dizer:
Um grande amor só se avalia bem
Depois de se perder.

António Botto

Interlúdio com ...

Will You Still Love Me Tomorrow - Norah Jones

Will You Still Love Me Tomorrow

Norah Jones

Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you still love me tomorrow?

Is this a lasting treasure
or just a moment pleasure?
Can I believe the magic of your sight?
Will you still love me tomorrow?

Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?

I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?

Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...

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