Estou de volta... como a primavera!

"Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa..."

Manuel Antonio Pina

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"Estranha Forma Anônima de Amar"



Desconheço a autoria da imagem

Toda a espera é delicada
Porém, aguarda-mree.

Toda a conquista é fascinante
Porém, descubra-me.

Toda a busca é incessante
Porém, encontre-me.

Somos sementes em espera
Porém, sem a certeza do encontro.

É tão estranho te querer de longe,
Tão arrebatador o que leio em teu olhar.

Tão sutil e desesperador esse tremor dentro do peito,
Tão estranha essa forma anônima de amar.

Nilvana Tereza Koppe

(Conforme consta no comentário abaixo, dando a devida autoria do poema. Desculpo-me com a autora e agradeço sua visita)



quinta-feira, 9 de junho de 2011

"Balada de Salomé"


Isadora Duncan

Meus bailados endoidecem,
Adormecem,
São riscos, que os meus sentidos
Com tules de ânsia vestidos,
Traçam no ar.
Endoidecem.
Plumas que caem no mar.

Alfredo Guisado

quarta-feira, 8 de junho de 2011


Desconheço a autoria da imagem

Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

Alexandre O'Neill


terça-feira, 7 de junho de 2011

"Amor Como Em Casa"


Fotografia daqui

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

Manuel António Pina


segunda-feira, 6 de junho de 2011


Imagem daqui

Há palavras que nos beijam
como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
de imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
quando a noite perde o rosto;
palavras que se recusam
aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
entre palavras sem cor,
esperadas inesperadas
como a poesia ou o amor.

(o nome de quem se ama
letra a letra revelado
no mármore distraído
no papel abandonado )

Palavras que nos transportam
aonde a noite é mais forte,
ao silêncio dos amantes
abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill


domingo, 5 de junho de 2011


Dá-me lírios, lírios,
e rosas também.
Mas se não tens lírios
nem rosas a dar-me,
tem vontade ao menos
de me dar os lírios
e também as rosas.
Basta-me a vontade,
que tens, se a tiveres,
de me dar os lírios
e as rosas também,
e terei os lírios
e as rosas também,
e terei os lírios-
os melhores lírios-
e as melhores rosas
sem receber nada,
a não ser a prenda
da tua vontade
de me dares lírios
e rosas também.

Álvaro de Campos

sábado, 4 de junho de 2011


Desconheço a autoria da imagem

quando nasci. esperava que a vida.
me trouxesse. a terra. quando nasci.
esperava que a vida. me trouxesse.
as árvores. e os pássaros. e as crianças.
quando nasci. tinha o mundo. todo.
depois dos olhos. depois dos dedos.
e não percebi. não percebi. nada.
nunca imaginei. quando nasci. que a vida.
quando nasci. já era a escuridão. a escuridão.
em que estava. quando nasci.

José Luís Peixoto

sexta-feira, 3 de junho de 2011

"Dá-me a Tua Mão"


Desconheço a autoria da imagem

Dá-me a tua mão.
Dá-me a tua mão e partamos pelos ancestrais caminhos
onde o mar outrora colhia os sorrisos da infância.
Dá-me a tua mão neste momento em que já nada
me resta.
Em que todos os dias me conduziram às negras
alamedas de cidades que me eram adversas.

Esqueci as sendas onde a nudez da água
habitava os meus passos.

Perdi-me entre as pedras
julgando garantidas as promessas que imortalizavam
as velhas árvores protectoras dos gestos inseguros.

Por favor.
Dá-me a tua mão.

Fernando Gregório


quinta-feira, 2 de junho de 2011


Fotografia de Mark, daqui

Cinco passos para a frente,
era o infinito dos felizes.
Cinco passos para trás,
o curral dos ofendidos.

Não havia saída,
nenhum ermo onde esconder
a vida. Só a morte
nos dizia - por aqui.

José Miguel Silva


quarta-feira, 1 de junho de 2011


Fotografia de Henri Cartier Bresson

Afasta-te de mim, ó hora
o teu adejar feridas em mim cria
só: que farei com a minha boca agora?
com a minha noite?
com o meu dia?

Amada não tenho, sem casa estou
sem qualquer lugar onde viver
todas as coisas às quais me dou
enriquecem e gastam o meu ser.

Rainer Maria Rilke


Interlúdio com ...

Will You Still Love Me Tomorrow - Norah Jones

Will You Still Love Me Tomorrow

Norah Jones

Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you still love me tomorrow?

Is this a lasting treasure
or just a moment pleasure?
Can I believe the magic of your sight?
Will you still love me tomorrow?

Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?

I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?

Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...

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