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Nathalia Arja in Firebird. Choreography by George Balanchine and Jerome Robbins © The George Balanchine Trust. Photo © Karolina Kuras |
Tenho dedos tortos para versos tristes
Tenho versos tristes para um bolero
Mas talvez um tango me caia melhor
Tenho pés cansados para valsas mortas
Nunca me arrisquei a inventar um passo
Digo, pesaroso, à mão que me convida:
Sou um passageiro deste verbo neutro
Como não sei dançar
Vou pedir um Porto
Vou me embriagar
Depois cair morto
Amanhã eu ressuscito
Com dedos tortos pra tocar um fado
Com pernas tortas pra dançar um tango
E versos curvos para um bolero
Com pé fagueiro para viva valsa
Com velha nova para história boa
Punho fechado de direito jab.
Terei me erguido antes da contagem.
Leandro Costa
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