Estou de volta... como a primavera!

"Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa..."

Manuel Antonio Pina

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

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Imagem Google
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Eu me arrebentei, assim, porque o nó era fraco.
Frouxo. Mal dado.
Eu afundei, em segundos, porque no meu casco
havia um buraco milimétrico por onde o mar entrou, aos poucos.
Inteiro.
Eu caí com o primeiro vento porque não havia tijolos.
Eu era construção mal feita. Erguida na pressa.
Madeira com pregos mal batidos.
Fachada.
Eu derreti ao sol porque era de plástico.

Sumi no sopro porque era pó.

Eu me quebrei na primeira queda porque, por dentro,
não havia mais nada.
Eu me sentia forte, sem saber que já era oco.

Eduardo Baszczyn

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

"A Ausente"

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Imagem Google
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Os que se vão, vão depressa,
Ontem, ainda, sorria na espreguiçadeira.
Ontem, dizia adeus, ainda da janela,
Ontem vestia, ainda o vestido tão leve cor-de-rosa.

Os que se vão, vão depressa,
Seus olhos grandes e pretos há pouco brilhavam,
Sua voz doce e firme faz pouco ainda falava,
Suas mãos morenas tinham gestos de bênçãos.

No entanto hoje, na festa ela não estava,
Nem um vestígio dela, sequer.
Decerto, quase todos, indiferentes e desconhecidos.

Os que se vão, vão depressa,
Mais depressa que os pássaros que passam no céu,
Mais depressa que o próprio tempo,
Mais depressa que a bondade dos homens,
Mais depressa que os trens correndo nas noites escuras,
Mais depressa que a estrela fugitiva,
Que mal fez um traço no céu.

Os que se vão, vão depressa.
Só no coração do poeta, que é diferente dos outros corações,
Só no coração sempre ferido do poeta,
É que não vão depressa os que se vão,
Ontem sorria na espreguiçadeira,
E o seu coração era grande e infeliz,
Hoje, na festa ela não estava, nem a sua lembrança,
Vão depressa, tão depressa os que se vão ...

Augusto Frederico Schmidt

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"As Meninas"

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Raparigas à janela, Murillo, Sevilha, 1618/1682
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Arabela abria a janela
Carolina ergia a cortina
e Maria apenas sorria
Bom dia
Arabela foi sempre a mais bela
Carolina a mais sábia menina
e Maria apenas sorria
Bom dia
Pensaremos em cada menina que vivia naquela janela
Uma que se chamava Arabela
Outra que se chamava Carolina
Mas a nossa profunda saudade é Maria, Maria, Maria
que dizia com voz de amizade
Bom dia!

Cecilia Meireles

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domingo, 8 de agosto de 2010

"As Mãos do Meu Pai"

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Foto by Dave Bowman
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As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já de cor de terra
- como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da
nobre cólera dos justos.

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza
que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços
da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
contra o vento?

Ah! Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das
tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida – que transcende a própria vida
...e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

Mario Quintana

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Um carinho a todos os pais, no dia de hoje...

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sábado, 7 de agosto de 2010

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imagem2.png
Fotografia daqui
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A cidade está deserta
e alguém escreveu o teu nome em toda a parte
nos carros, nas casas, nas pontes, nas ruas
em todo o lado essa palavra
repetida ao expoente da loucura
para nos lembrar que o amor é uma doença
ora amarga, ora doce
quando nele julgamos ver a nossa cura

Manuel Cruz

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

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Inspiração
Fotografia de Belitah
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Eu hei de escrever teu nome
Num pedaço de vento
Na lista do mercado
Num importante documento
E eu hei de tatuá-lo
Enquanto pulsa meu coração
Por toda minha mente
No ar de meu pulmão
Só para não esquecer
Esse teu doce nome
Que sempre consome
Toda minha inspiração

Cáh Morandi

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

"Noite de Verão"

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Summer in New York, de Miro Sinovcic
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As árvores gotejam do aguaceiro.
Na relva molhada reluz o frio
luar. No vale, o invisível rio
reboa escuro com inquieta voz.

No casario ladram cães. Ó noite
de verão e de estrelas mal veladas:
como seduz, vossa pálida estrada,
meu coração ébrio de espaço e viagem!

Hermann Hesse

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"Travessura"

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Fotografia de Borges
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Ah, menino...
Também corri muito
atrás dos mesmos arranhões que você.
Papai-do-Céu nos observava
e as estrelas eram mais inatingíveis, não é?
E a bola
era o mundo
que batia no muro.
Todos os doces
machucavam nossos sorrisos...
Que fizemos dos sonhos,
menino?
Foi a vida que se tornou um
esconde-esconde.

Agostina Akemi Sasaoka

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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

"Petição"

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Fotografia de Dany Arsic
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Vai...
madrugada
insone

me desperte
com o beijo do sol
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Cláudia Gonçalves

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domingo, 1 de agosto de 2010

"Aula de Desenho"

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Imagem daqui
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Estou lá onde me invento e me faço:
De giz é meu traço. De aço, o papel.
Esboço uma face a régua e compasso:
É falsa. Desfaço o que fiz.
Retraço o retrato. Evoco o abstrato
Faço da sombra minha raiz.
Farta de mim, afasto-me
e constato: na arte ou na vida,
em carne, osso, lápis ou giz
onde estou não é sempre
e o que sou é por um triz.

Maria Esther Maciel

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Interlúdio com ...

Will You Still Love Me Tomorrow - Norah Jones

Will You Still Love Me Tomorrow

Norah Jones

Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you still love me tomorrow?

Is this a lasting treasure
or just a moment pleasure?
Can I believe the magic of your sight?
Will you still love me tomorrow?

Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?

I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?

Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...

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