Estou de volta... como a primavera!

"Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa..."

Manuel Antonio Pina

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

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Acorde:
Tua ausência
Rasa e condoída, é uma lua
Que bóia distraída
Na poça d'água do meu peito

Julio Meirelles

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"Para Nadar"

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Não há quem não feche os olhos
ao cantar a música favorita
Não há quem não feche os olhos ao beijar,
não há quem não feche os olhos ao abraçar
Fechamos os olhos
para garantir a memória da memória
É ali que a vida entra e perdura,
naquela escuridão mínima,
no avesso das pálpebras
Concentramo-nos para segurar a dispersão,
para segurar a barca ao calor do remo
O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio.
Os cílios se mexem como pedais da memória
Experimenta-se uma vez mais
aquilo que não era possível
Viver é boiar, recordar é nadar .

Fabrício Carpinejar

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

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Colhe e leva esta pequena flor, não demores!
Receio muito que ela se incline e desfaleça na poeira.
Talvez ela não encontre lugar na tua grinalda;
honra-a, porém, com um toque dorido da tua mão
e colhe-a.
Receio muito que o dia termine antes que eu o
perceba, e que passe a hora da oferenda.
Embora não seja intensa a sua cor e seja débil
o seu perfume, serve-te assim mesmo desta flor
e colhe-a enquanto é tempo.

R. Tagore

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domingo, 10 de janeiro de 2010

"Os Amigos Infelizes"

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foto daqui
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Andamos nus, apenas revestidos
Da música inocente dos sentidos.

Como nuvens ou pássaros passamos
Entre o arvoredo, sem tocar nos ramos.

No entanto, em nós, o canto é quase mudo.
Nada pedimos. Recusamos tudo.

Nunca para vingar as próprias dores
Tiramos sangue ao mundo ou vida às flores.

E a noite chega! Ao longe, morre o dia...
A Pátria é o Céu. E o Céu, a Poesia...

E há mãos que vêm poisar em nossos ombros
E somos o silêncio dos escombros.

Ó meus irmãos! em todos os países,
Rezai pelos amigos infelizes!

Pedro Homem de Mello

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sábado, 9 de janeiro de 2010

"Salmo do Padeiro"

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Com o pão
se faz
a oração

o pão
ó Pai
é tua palavra

dando aos corpos
a chave
de outros corpos

na reunião
com o pão
também estás

se não estou
fora do pão
e da oração

Armindo Trevisan
in "O Ferreiro Harmonioso"

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

"Escapismo"

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foto daqui
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Tristezas podem ficar caladas.
É só não puxar por elas.
Enquanto dormem,
abastecemos a barca de sonhos,
aquietamos o rio das indagações.
Quando a tristeza acordar pálida
do pó de seus porões,
é nossa vez de descansar.
O ponteiro do desencontro torna possível
navegar.

Flora Figueiredo
in "Chão de Vento"

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

"Barro e Sopro"

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As pessoas
Intensas
Imensas
e densas
São feitas
de barro,
de sopro...

De barro
para que as
sementes
germinem.

De sopro
para que as
sementes
se espalhem.

Tudo mais
é pedra,
é vácuo.

Oswaldo Antonio Begiato

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

"Olhos"

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foto daqui
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Dois pássaros voam,
de um leve azul inebriados.
De onde os vejo
Só há o espelho quieto de um lago.
E já não sei o que é mais visível
se o que enxergo, as aves,
com meus olhos,
ou se aquelas flautas moventes
sincronizadas,
que sonho
com os olhos quietos do lago.
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Fernando Campanella

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

"Plano"

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Trabalho o poema sobre uma hipótese:
o amor que se despeja no copo da vida, até meio,
como se o pudéssemos beber de um trago.
No fundo, como o vinho turvo,
deixa um gosto amargo na boca.
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Pergunto onde está a transparência do vidro,
a pureza do líquido inicial,
a energia de quem procura esvaziar a garrafa;
e a resposta são estes cacos que nos cortam as mãos,
a mesa da alma suja de restos,
palavras espalhadas num cansaço de sentidos.
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Volto, então, à primeira hipótese. O amor.
Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

Nuno Júdice

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

"Bloody Marry"

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Na boca escarlate da noite,
passou-se a eternidade,
no pequeno tempo,
no úmido tempo daquele beijo!

Nas veias o sangue disparou,
uma manada de tintos corcéis
galopando desordenadamente,
batendo-se vermelhos,
contras as paredes das artérias!

Quanta vida em seu corpo,
no inebriante e rubro instante

...daquele beijo!

Lenise Marques

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Interlúdio com ...

Will You Still Love Me Tomorrow - Norah Jones

Will You Still Love Me Tomorrow

Norah Jones

Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you still love me tomorrow?

Is this a lasting treasure
or just a moment pleasure?
Can I believe the magic of your sight?
Will you still love me tomorrow?

Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?

I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?

Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...

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