Estou de volta... como a primavera!

"Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa..."

Manuel Antonio Pina

domingo, 10 de outubro de 2010



Eu sou azul
sou azul de corpo
sou azul de alma.
Mesmo no cinza
nos dias
em preto e branco
meu azul
cintilante
sorria.

Edgar Radins


sábado, 9 de outubro de 2010

"Vésper"


Imagem Google

Os poetas praticam
a jardinagem do Universo

Colhem estrelas maduras
no frontispício da tarde

A noite convoca suas doçuras
o alaúde de jasmineiros
a Via Láctea.

Héllio Pellegrino
In Minérios Domados


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

"Versos Escritos N' Água


Imagem Google


Os poucos versos que aí vão,
Em lugar de outros é que os ponho.
Tu que me lês, deixo ao teu sonho
Imaginar como serão.

Neles porás tua tristeza
Ou bem teu júbilo, e, talvez,
Lhes acharás, tu que me lês,
Alguma sombra de beleza...

Quem os ouviu não os amou.
Meus pobres versos comovidos!
Por isso fiquem esquecidos
Onde o mau vento os atirou.

Manuel Bandeira


quinta-feira, 7 de outubro de 2010


Fotografia de Mário Quintana

Convivência entre o poeta e o leitor,
só no silêncio da leitura a sós.
A sós, os dois. Isto é, livro e leitor.
Este não quer saber de terceiros,
não quer que interpretem,
que cantem, que dancem um poema.
O verdadeiro amador de poemas
ama em silêncio...

Mário Quintana



quarta-feira, 6 de outubro de 2010

"Venho de Longe"


Albatroz em seu ambiente natural. Nikon D200, Sigma 300mm f/2.8, 1/6400 @ f/4, ISO 400
Fotografia de Octavio Salles

Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.

Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.

Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha

Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.

Paulo Bomfim


terça-feira, 5 de outubro de 2010

"Uma Armadilha no Peito"


Imagem Google

Em madrugadas, vagamente obscuras,
descrevo sombras longínquas,
que perseguem a minha sombra.
Os mais premonitórios sulcos nocturnos
brilham-me nos pés.
Uma armadilha no peito relembra
a exacta adolescência das pálpebras,
quando exibia, no sorriso,
a luz da primavera.
Era menina e havia nos meus olhos tanta fé
que, nem o céu nem o mar excediam,
em grandeza, o meu olhar.


Graça Pires
in 'Não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos', 2007



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Lótus"


Fotografia de © Bocah Bocor 

Meu lago
meu lodo
o todo obscuro da alma.

Ali onde tantos se afogam
eu sonho meu lótus
eu escrevo nas águas.

Fernando Campanella


domingo, 3 de outubro de 2010

"Uma Pétala de Prece"


Imagem Google

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Amém.

Natália Correia


sábado, 2 de outubro de 2010

"Nas mãos, apenas o perfume..."


Girl in a bee dress, de Maggie Taylor

Não aprendi a colher a flor
sem esfacelar as pétalas.
Falta-me o dedo menino
de quem costura desfiladeiros.

Criança, eu sabia
suspender o tempo,
soterrar abismos
e nomear as estrelas.
Cresci,
perdi pontes,
esqueci sortilégios.

Careço da habilidade da onda,
hei-de aprender a carícia da brisa.

Trémula, a haste
me pede
o adiar da noite.

Em véspera da dádiva,
a faca me recorda, no gume do beijo,
a aresta do adeus.

Não, não aprenderei
nunca a decepar flores.

Quem sabe, um dia,
eu, em mim, colha um jardim?

Mia Couto


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

"A Idade das Chuvas"


9874663
Fotografia de Anke Merzbach

Quando era infância
tive o meu caderno de chuvas:
algumas rasuradas, outras
fiéis cópias dos deveres do céu.

Quando era infância,
minhas chuvas eram as águas
do que poderiam ter sido:
fruto de rios bem cursados.

Mas herdei a chuva ancestral
que põe umidade na alma
e passa o ano a acarinhar
a palidez das poças de lama.

E é a mesma água que ainda sonha
os grandes oceanos.

André Ricardo Aguiar

Interlúdio com ...

Will You Still Love Me Tomorrow - Norah Jones

Will You Still Love Me Tomorrow

Norah Jones

Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you still love me tomorrow?

Is this a lasting treasure
or just a moment pleasure?
Can I believe the magic of your sight?
Will you still love me tomorrow?

Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?

I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?

Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...

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