Estou de volta... como a primavera!

"Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa..."

Manuel Antonio Pina

domingo, 8 de novembro de 2009

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No amor também as palavras
são necessárias. Os gestos talvez não bastem.
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Nem a chuva lá fora enquanto o amor se inflama.
Nem o sussurro nas árvores quando os corpos serenam.
Nem a melopeia das águas quando as bocas se esmagam.
Nem o fulgor dos olhos quando a paixão se impacienta.
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Penso no amor e logo invento palavras
e logo as palavras se põem ébrias.
Penso no amor e logo as palavras
se soltam como fogosas aves
a que não pergunto o rumo.
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Penso no amor e logo preciso
que as palavras digam
que amor é este em que penso
e em que grito.
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Fernando Namora

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sábado, 7 de novembro de 2009

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Apenas pelas folhas
a manhã se insinua
trazendo-nos a brisa
da tua face nua.
A árvore estremece
e os gestos repetidos
deixam talvez a curva
que passa nos sentidos.
Assim tu hás-de vir
em tudo o que esperamos,
chegando como os frutos
na direcção dos ramos
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Fernando Guimarães

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

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Imagem daqui
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Não é o coração
mas esta carne
em seu rumor.
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Não é o coração
mas teu silêncio
de intenso furor.
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Não é o coração
mas as mãos
sem corpo, vazias.
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Na grave melodia
de um instante
tu e eu
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em desequilíbrio
na infame
consistência
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de um absoluto
obstáculo.
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Ana Marques Gastão
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

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foto daqui
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O meu amor honra-me com prendas
e eu nada tenho para lhe dar. Talvez a Lua.
Afaga-me o cabelo e enche-o de nuvens
e eu só lhe posso retribuir com raios de sol.
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Debruça-me sobre um manto fresco de ervas
e brinca com as minhas orelhas. Dou-lhe,
em segredo, um sorriso, a que ela, logo, acode
com uma cascata líquida de risinhos cristalinos.
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À noite desculpa-se por não ter outras prendas
para demonstrar-me o seu verdadeiro amor.
É nesse momento que, então, envergonhado
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por ter menos do que ela, aproveito o escuro
do quarto e lhe pouso, devagar, sobre a almofada,
uma pétala, ainda viva, perfumada, duma flor.
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José António Gonçalves

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"O Coração"

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O coração é a sagrada pira
Onde o mistério do sentir flameja.
A vida da emoção ele a deseja
Como a harmonia as cordas de uma lira.
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Um anjo meigo e cândido suspira
No coração e o purifica e beija...
E o que ele, o coração, aspira, almeja
É o sonho que de lágrimas delira.
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É sempre sonho e também é piedade,
Doçura, compaixão e suavidade
E graça e bem, misericórdia pura.
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Uma harmonia que dos anjos desce,
Que como estrela e flor e som floresce
Maravilhando toda criatura!
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Cruz e Sousa

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

"O vento"

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Por mais que tente, o vento
não consegue adormecer
se não tiver nada para ler.
Seja uma folha de tília,
de bambu ou buganvília.
É por isso que o vento
arrasta as folhas consigo,
até encontrar um abrigo,
onde possa adormecer.
Arrastou até a folha,
onde eu estava a escrever!
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Jorge Sousa Braga

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Verdade, Mentira"

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Verdade, mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
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Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada.
Desliguei as mãos de cima do joelho.
Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
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Qualquer cousa mudou numa parte da realidade;
os meus joelhos e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
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O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.
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Alberto Caeiro
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domingo, 1 de novembro de 2009

"Sonho"

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Quando cheguei na lua
montei nela como num cavalo manso,
trouxe comigo,
escondi dentro da fronha,
mas depois fiquei com pena
e devolvi pra noite.
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Leila Míccolis
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sábado, 31 de outubro de 2009

"Velha Chácara"

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By nospheratt
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A casa era por aqui...
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.
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Ah quanto tempo passou!
(foram mais de cinquenta anos.)
tantos que a morte levou!
(E a vida...nos desenganos...)
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A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa...
- Mas o menino ainda existe.
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Manuel Bandeira
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"Espera"

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Sabia que você não viria
E usei o tempo para me enfeitar
Preguei flores no cabelo
Dancei em frente ao espelho
Apenas pra te esperar
Rósea, linda e sorridente
Com estrelas no olhar
Me embrulhei toda pra presente
E me pus toda contente
Contar as horas pra você voltar
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Victtoria Rossini
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Interlúdio com ...

Will You Still Love Me Tomorrow - Norah Jones

Will You Still Love Me Tomorrow

Norah Jones

Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you still love me tomorrow?

Is this a lasting treasure
or just a moment pleasure?
Can I believe the magic of your sight?
Will you still love me tomorrow?

Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?

I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?

Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...

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