Estou de volta... como a primavera!

"Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa..."

Manuel Antonio Pina

sábado, 11 de setembro de 2010

"Vida de Mosteiro"


Imagem: Tumblr

Clarissas em silêncio
Carmelitas descalças
Eu, neste apartamento

Tuca Kors


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"Pacifismo"

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flor_de_papel.jpg
Imagem daqui
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Das folhas dos pinheirais
faz-se a folha de papel
e faz-se o papel-dinheiro...

Dos seios dos seringais,
do seu leite empedernido,
sangrado através das rachas,
autores e industriais
nutrem-se até da borracha.

Daí, se ouvimos dizer,
que a literatura pode ser
das armas, a mais cruel,
é talvez devido ao fato
de que o ato de escrever,
com conseqüências funestas,
traga em seu bojo aborteiro
a matança de pinheiros,
e a extinção de florestas.

Leila Míccolis

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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"Eu"

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"Tristeza", de Mariela Monica Montes
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Até agora eu não me conhecia,
julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.

Mas que eu não era Eu não o sabia
mesmo que o soubesse, o não dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... e não me via!

Andava a procurar-me - pobre louca!-
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!

E esta ânsia de viver, que nada acalma,
E a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!

Florbela Espanca

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

"Com Licença Poética"

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"Didn't call birdy", by Katerina Belkina
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Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
essa espécie ainda envergonhada.
Aceito subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa me casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

"Quintanares"

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Mário Quintana
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Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares

Manuel Bandeira
in Coletânea 80 anos de Poesia.
Editora Globo, 1986


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domingo, 5 de setembro de 2010

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2anjo.jpg image by doceamor
Imagem Google
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No dia em que pensei em morrer,
Ela me sorriu. Tudo era escuro
Mas ainda assim ela era linda
Quando eu a quis ela disse não
Um não sorrindo que não me magoou
um não tão lindo que parecia sim
E que entre tantos nãos, caiu gostoso
dizendo sim

Naquela noite escura ela era meu único sim

Vladimir Maiakovsk

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sábado, 4 de setembro de 2010

"Perdas e Ganhos"

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Fotografia de Rosie Hardy
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Fruto de enganos ou de amor,
nasço de minha própria contradição.
O contorno da boca,
a forma da mão, o jeito de andar
(sonhos e temores incluídos)
virão desses que me formaram.
Mas o que eu traçar no espelho
há de se armar também
segundo o meu desejo.
Terei meu par de asas
cujo vôo se levanta desses
que me dão a sombra onde eu cresço
- como, debaixo da árvore,
um caule,
e uma flor.

Lya Luft

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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"O Homem e Sua Sombra 2"

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Fotografia de Nelson
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Era um homem que pensava tão claro
que nenhuma dúvida
o sombreava
Era como se raciocinasse sempre
ao meio-dia
quando o pensamento
é um copo ereto
que sombra alguma esconderia.
O problema era à noite
quando o escuro mundo
o envolvia:
tentava pensar claro, tentava
mas algo o incomodava
até que descobriu que a claridade
só ganhava sentido
quando com escuridão
dialogava.

Affonso Romano de Sant’Anna

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

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Imagem Google
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Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser
que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

Alexandre O'Neill

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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

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Imagem Google
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O que aconteceria se você dormisse?
E depois sonhasse?
E no sonho fosse até o céu e
colhesse uma estranha e bela flor?
E quando acordasse,
tivesse a flor nas mãos?

Ah! E então?

Samuel Coleridge

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Interlúdio com ...

Will You Still Love Me Tomorrow - Norah Jones

Will You Still Love Me Tomorrow

Norah Jones

Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you still love me tomorrow?

Is this a lasting treasure
or just a moment pleasure?
Can I believe the magic of your sight?
Will you still love me tomorrow?

Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?

I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?

Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...

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