Estou de volta... como a primavera!

"Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa..."

Manuel Antonio Pina

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"Apegado a Mim"

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Floco de lã de minha carne,
que em minha entranha eu teci,
floco de lã friorento, dorme apegado a mim!
A perdiz dorme no trevo
escutando-o latir:
não te perturbem meus alentos,
dorme apegado a mim!
Ervazinha assustada
assombrada de viver,
não te soltes de meu peito:
dorme apegado a mim!
Eu que tudo o hei perdido
agora tremo de dormir.
Não escorregues de meu braço:
dorme apegado a mim!
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Gabriela Mistral
(Tradução - Maria Teresa Almeida Pina)


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terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Diário de um Apaixonado"

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Sozinho, o apaixonado tem a caligrafia da tristreza.
Aproveita a neblina para deixar recados nas vidraças.
Redige o alfabeto emendado, não suporta as letras
separadas. Pára de repente o olhar e não avança.
Observa os cachorros como anjos atrapalhados
acomodando suas asas. Comove-se com o modo que
lambem as patas, os becos das patas. Capaz de olhar
longamente os cachorros dormindo, para não aprender
nada a não ser os cachorros dormindo.
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O apaixonado é um
comovido à toa.
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Fabrício Carpinejar
in "Diário de um Apaixonado. Sintomas de um bem incurável"

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Obrigado, Violinos!"

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Obrigado, violinos, por este dia
de quatro cordas.
É puro o som do céu,
a voz do ar.
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Pablo Neruda
in Últimos Poemas
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domingo, 15 de novembro de 2009

"Dá-me Tua Mão"

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Dá-me tua mão
E eu te levarei aos campos musicados pela
canção das colheitas.
Cheguemos antes que os pássaros nos disputem
os frutos,
Antes que os insetos se alimentem das folhas
entreabertas.
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Dá-me tua mão
E eu te levarei a gozar a alegria do solo
agradecido,
Te darei por leito a terra amiga
E repousarei tua cabeça envelhecida
Na relva silenciosa dos campos.
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Nada te perguntarei,
Apenas ouvirás o cantar das águas adolescentes
E as palavras do meu olhar sobre tua face muito
amada.
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Adalgisa Nery

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sábado, 14 de novembro de 2009

"Pintura"

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Eu sei que se tocasse
com a mão aquele canto do quadro
onde um amarelo arde
me queimaria nele
ou teria manchado para sempre de delírio
a ponta dos dedos.
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Ferreira Gullar
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"A Criança Que Ri Na Rua"

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A criança que ri na rua,
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
A bondade que não tem prazo
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Tudo isso excede este rigor
Que o raciocínio dá a tudo,
E tem qualquer cousa de amor,
Ainda que o amor seja mudo
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Fernando Pessoa

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

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Repara no meu rosto e mede
a profundidade das minhas rugas.
Observa de perto o meu cabelo branco
e passa os dedos pelas minhas cicatrizes.
Tudo isso é a árvore que eu sou.
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Da copa inatingível e secreta
até ao abismo das fundas raízes.
Se me falares baixinho lembrarei
as suaves brisas de Outono e desprenderei
abraços dos meus ramos em folhas sedosas
para te atapetar o caminho.
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Se um dia te cansares de mim
corta-me. Serra-me ao meio. Arde-me.
Mas peço-te meu amor
aproveitando este vento da tarde:
nunca na vida me deixes sozinho.
A solidão secar-me-ia de dor.
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José António Gonçalves

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Recomecemos, então

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Recomecemos então, as mãos
palma com palma.
Diz, não digas, a palavra.
As palavras terão sentido ainda?
Haverá outro verão, outro mar
para as palavras?
Vão de vaga em vaga,
de vaga em vaga vão apagadas.
Seremos nós, tu e eu, as palavras?
Onde nos levam, neste crepúsculo,
assim palma a palma,
de mãos dadas?
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Eugénio de Andrade

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

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Imagem daqui
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A exaustão
das cinco da manhã
e a noite em claro
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Gravo o poema,
que o peso da caneta
e eu nem Atlas
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Os olhos a fecharem-se
mais fortes que o desejo
(vontade de rimar
nestes espaços)
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(Se agora tu viesses
Dar-me um beijo
Com certeza adormecia
Nos teus braços)
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Ana Luísa Amaral

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Segredo

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Hoje é dia de Abrir Aspas Para a Poesia...
Blogagem Coletiva proposta pela Lunna do Blog "Teoria Impossíveis".
Esta é a terceira edição desta proposta, que consite em
escolher um poeta e uma poesia para deixar mais poética a blogosfera…
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E o INTERLÚDIO não podia ficar de fora... afinal, aqui é a casa da poesia!
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Nessa edição vou homenagear um poeta brasileiro, de Minas Gerais: Fernando Campanella, que tenho a honra de ter como amigo virtual aqui nesse cantinho da poesia.
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Aqui neste Blog tenho diversos poemas dele já postados, que você pode conferir aqui.
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Fernando Campanella é autor do Blog PALAVREARES, um espaço encantandor onde publica seus poemas, crônicas e fotografias.... Vale a pena uma visita sem pressa a esse espaço poético.
Clique aqui para conhecer o PALAVREARES.
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E aqui vai o poema de hoje:
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SEGREDO
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Imagino
que saio a pescar a luz na tarde,
meu samburá a tiracolo,
antes que os deuses do dia
atrelem as carruagens
e o sol se incline
no abismo da memória.
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Mudo as pedras.
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Imagino, então,
Dona Lua,
por puro encanto,
até as franjas do infinito
tecendo um halo
e capturando estrelas
no encalço.
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Imagino, imagino,
e deste imaginar me reincorporo,
chispo rudes pérolas:
alucino?
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Fernando Campanella
08 de Junho de 2007
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Este post faz parte da Blogagem Coletiva "Abre Aspas para a Poesia" proposta pela Lunna do Blog "Teorias Impossíveis". Obrigada, Lunna, é sempre um prazer participar.
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Interlúdio com ...

Will You Still Love Me Tomorrow - Norah Jones

Will You Still Love Me Tomorrow

Norah Jones

Tonight you're mine completely
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you still love me tomorrow?

Is this a lasting treasure
or just a moment pleasure?
Can I believe the magic of your sight?
Will you still love me tomorrow?

Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?

I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?

Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...

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