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.Já reparou quanta poesia há num relógio parado?
Um relógio estragado é uma afronta, um protesto
Contra o tempo inventado pelos homens.
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Um relógio parado desafia a velocidade.
Um ponteiro estático não marca o tempo
Marca permanência. Exerce eternidade.
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O trágico silêncio dos ponteiros
É uma elegia às horas mortas
Cada ato de um relógio estragado
Desassossega o efêmero.
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Um relógio inútil desafia todos os minutos
Ilude o atraso, dói o tempo...
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Um tempo morto, esquecido abandonado.
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Jéferson de Souza Tenório
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